O primeiro mês do ano é popularmente conhecido como Janeiro Branco, com o objetivo de mostrar para a sociedade a importância das questões relacionadas à Saúde Mental e Emocional da população, tendo em vista a proteção da humanidade e a inserção da cultura da saúde mental no mundo.
Mas por quê o Janeiro Branco ocorre no primeiro mês do ano? E como podemos estender a ação para as crianças?
Digamos que após o Ano Novo, o primeiro mês é aquele em que as pessoas estão mais reflexivas sobre suas metas, sobre sua saúde, relações sociais e em seus sentidos existenciais, sempre em busca de melhorias. Cenário perfeito para o Janeiro Branco acontecer.

E como em um planner pronto para ser preenchido com novas inspirações e mudanças, para que novas histórias e ciclos sejam escritos novamente, é assim que se aproveita para incentivar a população a buscar fatores de proteção e olhar para a sua saúde mental.
“Janeiro vem do latim Janus, que é um deus da mitologia romana que tinha duas faces, uma olhando para frente e outra olhando para trás. Olhar para frente significa projeções para o futuro, “o que eu quero para minha vida?”. Olhar para trás é a reflexão do passado, “o que fiz até agora? ”
Patrícia Ribeiro, 2021
Mas afinal o que são fatores de proteção? E porque falamos deles no Janeiro Branco?
Fatores de proteção são recursos da pessoa ou sociais que diminuem o impacto do perigo, ou seja, são pessoas, atividades, tudo aquilo que auxilia no enfrentamento das adversidades e vulnerabilidades.
Identificar como e em que fase do desenvolvimento atuam os mecanismos protetores, é fundamental para a organização de intervenções efetivas para a redução de problemas no presente e no futuro.
Garmezy (1985) classifica os fatores de proteção para a infância em três categorias:
- Atributos da criança: atividades, autonomia, orientação social positiva, autoestima, preferências, etc;
- Características da família: coesão, afetividade e ausência de discórdia e negligência, etc;
- Fontes de apoio individual ou institucional disponíveis para a criança e a família: relacionamento da criança com pares e pessoas de fora da família, suporte cultural, atendimento individual como atendimento médico ou psicológico, instituições religiosas, etc.
Os fatores de proteção podem atuar como uma defesa para favorecer o desenvolvimento da criança.
A família é o primeiro fator de proteção, responsável pelo processo de evolução da criança, de adquirir habilidades e valores culturais favoráveis para o crescimento e a adaptação com o ambiente, para que a criança seja não apenas um ser humano que recebe as influências das pessoas que o cercam, mas que também participe e transforme o ambiente à sua volta.
Porém, muitas crianças e adolescentes não têm o apoio familiar, por isso devemos utilizar outros recursos para trazer esse suporte. Quais recursos seriam esses?
Para as crianças institucionalizadas, por exemplo, as amizades e relações com os educadores, passam a ter um grande peso na ausência de uma constituição familiar. Pois são os indivíduos com quem eles vivem a maior parte do tempo.
É muito importante lembrar que os atributos da própria criança/ adolescente são indispensáveis, e podemos cuidar da saúde mental de diversas formas.
Vamos para algumas dicas de como praticar o autocuidado e cuidar da criança em busca da conexão, do acolhimento e dos fatores de proteção:
- Ter um sono de qualidade e com a quantidade de horas necessárias;
- Buscar uma alimentação o mais saudável possível;
- Realizar atividades físicas e atividades prazerosas;
- Atividades relaxantes, como meditação, pintura, leitura;
- Estar com os amigos;
- Brincar de forma livre e não estruturada (a criança);
- Ouvir e acolher as emoções que elas nos trazem;
- Ser figura de segurança e vínculo.
Conseguiram entender a importância dos fatores de proteção e da ação do Janeiro Branco?
Sim, saúde mental é algo que devemos falar o ano todo, mas em meio a tudo que vivemos nesses dois últimos anos, em que nunca demos tanta importância para ela, toda e qualquer ação que possa ser feita para alertar e prevenir, além de funcionar como conscientização, deve ser feita!
Por isso, resolvi trazer aqui, com a ajuda da Sarah, esse alerta e essa explicação sobre os fatores de proteção e deixar para vocês o convite de conhecerem a proposta do Janeiro Branco.
Se você notar que alguém próximo precisa de ajuda ou até mesmo você, ou perceber alguma criança que também precisa de um olhar mais atento, procure um profissional da saúde.
Proteger a infância, é proteger além das nossas crianças, as nossas futuras gerações!
É proporcionar um olhar mais atento para quem vai conduzir nossa sociedade lá na frente e deixar cidadãos mais preparados para lidar com as dificuldades e obstáculos da vida.
Falar em saúde mental e em Janeiro Branco, é conscientizar a sociedade da importância que a saúde mental tem em nossa saúde como um todo!
O que até então sempre foi muito negligenciado, com a Pandemia ficou escancarado e nunca foi tão importante aprendermos sobre tudo isso!
E por aí? Como você consegue colocar na prática os fatores de proteção?
* escrito por Renata Lela Psicóloga (06/68519) e Sarah Ramalho (estagiária em psicologia clínica)
Referências:
- RIBEIRO, Patricia. Janeiro Branco. Enfrentamento ao Covid-19. Edição 20 – 19/01/2021. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/huol-ufrn/saude/coronavirus-covid-19/procedimentos/CartilhaJaneiroBranco.pdf
- MAIA, Joviane Marcondelli Dias; WILLIAMS, Lucia Cavalcanti de Albuquerque. Fatores de risco e fatores de proteção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área. Temas psicol., Ribeirão Preto , v. 13, n. 2, p. 91-103, dez. 2005 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2005000200002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 14 dez. 2021
- SAPIENZA, Graziela; PEDROMÔNICO, Márcia R. M. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10, n. 2, p. 209-216, mai./ago. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/stYqQ6cvpzPJRdqFwRr8NtH/?lang=pt&format=pdf