Em alguns poucos locais, como restaurantes, shoppings, nós conseguimos ver trocadores em sanitários masculinos, blogs dedicados à Paternidade, páginas em redes sociais dedicadas ao tema e uma presença maior de pais em cuidados diários e realmente parceria com as mães nos cuidados com os filhos. Mas será que pais participativos já são uma realidade da maioria?

A paternidade e novas possibilidades para o papel do pai

A paternidade tem se modificado desde os tempos antigos, muito embora não no ritmo que seria desejável que essa mudança acontecesse.

Ainda somos um país com mais de cinco milhões de crianças sem o nome dos pais na certidão de nascimento. Mulheres que educam, sustentam, criam e bancam essas crianças de forma solo, sem auxílio e muitas vezes sem rede de apoio.

Ainda temos muitos pais que apenas cumprem sua função como provedores e pagam a pensão determinada judicialmente, pegam os filhos aos finais de semana previamente determinados e dessa forma, exercem o seu papel de pai apenas como provedores.

Há aqueles que colocam o nome na certidão, mas não cumprem nem mesmo o pagamento da pensão determinado judicialmente, quem dirá conviver com essas crianças no dia-a-dia e exercer algum papel de pai de forma afetiva.

Mas também tem sido muito mais comum do que há alguns anos atrás, essa nova maneira de exercer a paternidade, onde o homem de fato exerce o papel de pai de forma ativa, presente, afetiva e divide a parceria desse papel com sua companheira/o ou até mesmo o faz de forma solo.

São os “novos pais” que apesar de serem ainda minoria, já despontam reivindicando os direitos de terem seu papel devidamente reconhecido, questionando, acolhendo, dividindo a guarda e de fato se fazendo presente na vida dos filhos.

Não há como dizermos que a falta da presença paterna não irá deixar alguma dor ou consequência para as crianças, isso é bem improvável.

O abandono, a falta da conexão, do vínculo ou até mesmo a presença inconstante e em alguns casos, ainda pior, os abusos, as agressões, as dificuldades de relacionamento criam feridas que persistem por toda a vida dessas crianças e interferem em seu futuro.

Muitos homens acabam repetindo o ciclo que sempre viveram com seus pais, reproduzindo o modelo que até então sempre entenderam como o correto, porque foi o único que tiveram e até mesmo o único repertório que conheceram.

Mas novos tempos surgem e para acompanhá-los, novos pais também são necessários, exercendo uma paternidade ativa, colaborativa, positiva, com papéis afetivos e criando vínculos e conexões de extrema importância na vida das crianças e adolescentes.

Já temos até casos em que os pais acabam por assumir de forma integral e exercem a paternidade solo ou ficam com a guarda das crianças e adolescentes.

Esse movimento da nova paternidade acaba por criar outros movimentos, como exigências para que a sociedade reconheça que o pai pode trocar fraldas também e não somente a mulher, que eles podem acompanhar as crianças em toiletes e que também participam de reuniões escolares, cuidam da saúde dos filhos, dividem o levar e buscar, compartilham cuidados, lancheiras e alguns tem até mesmo cuidado deles em casa enquanto as mulheres trabalham foram.

Algo até então, impensado!

Mas muito do que temos hoje, como aplicativos que nos permitem a comunicação com pessoas que moram do outro lado do mundo em tempo real, trabalho remoto, cirurgias feitas por robôs, também eram impensados no passado, portanto, assim como o mundo caminha e evolui, a paternidade também tem evoluído!

Esperamos que esse ritmo de evolução seja ainda mais rápido pelo bem estar e pela saúde mental e emocional  de nossas crianças e adolescentes!! E que tenhamos cada vez mais pais que exercem o seu papel de fato junto aos filhos/as.

Vamos mudar isso juntos?!

Por Renata Lela – CRP 06/68519

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